domingo, 30 de novembro de 2008

Sobre pessoas, perdas e danos

Recebi este e-mail e vendo as notícias sobre Santa Catarina, resolvi fazer esta postagem. Nessas horas a gente tem a verdadeira noção dos nossos pequenos problemas. Um abraço galera, ainda estudando, mas vou passando pelos blogs aos poucos...valeuuuuuu!
"O Prefeito de Blumenau/SC no jornal da TV local disse que as vítimas das enchentes estão sem comida para bebês de até 1 ano de idade pois não comem outros alimentos.Pedem que em suas doações priorizem: água mineral, mamadeiras com bico, sopinhas enlatadas para bebês, leite integral. Lembrem que os alimentos precisam estar prontos para consumo, pois não há água nem cozinha para preparo.
POR FAVOR REPASSEM ESTE E-MAIL PARA TODOS SEUS CONTATOS. AJUDEM TODOS ENVIANDO E-MAIL PARA OS FABRICANTES PEDINDO QUE ENCAMINHEM URGENTE BOAS DOAÇÕES PARA ALIMENTAR OS BEBÊS CATARINENSES.VAMOS ENCAMINHAR MILHARES DE EMAILS AOS FABRICANTES PARA CUMPRIREM ESSE IMPORTANTE PAPEL DE SOLIDARIEDADE A SEUS CONSUMIDORES.SPA/SCCONTATOS DE ALGUMAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTOS:
Itambéhttp://www.itambe.com.br
www.languiru.com.br/novo_site/contato.htmlEmails:Nestlé - falecom@nestle.com.brleite Bom Gosto - contato@bomgosto.ind.brLeite lac - sac@leitelac.com.br

Sobre pessoas, perdas e danos

Lá vão as enchentes
alagando sonhos
inundando almas
Lá vão os vendavais
desfolhando árvores
arrancando vidas


Lá vão os deslizamentos
desmoronando casas
soterrando homens


Sendo assim...
lá vai a solidariedade
amenizando o medo
aliviando a fome





terça-feira, 25 de novembro de 2008

SUJEITO INDETERMINADO


Olá pessoal...já fiz poema usando termos de matemática (Calculando a vida), termos de contabilidade ( Contabilidade de um falso poema), e agora como não poderia deixar de ser, chegou a vez do português. Bem...postando este poema e dando um tempinho novamente por causa das provas. Quinta começa e vai até a outra semana...Um abração para todo mundo...valeu pelos coments deixados...vou retribuindo aos poucos ok...valeuuuuu!!



Sujeito indeterminado

Quando fui poesia
errei os verbos, confundi as rimas
extrapolei nas vírgulas e nos argumentos
acabei abraçando como ninguém cada palavra, cada frase
e sublimei diante tantas interrogações
acentuei-me, conjuguei-me, interpretei-me...
e por saber que o sim era palavra proibida
parafraseei um “não” furtado de um velho poema
mas, mesmo assim, substantivo concreto, sai distribuindo parágrafos, abrindo parênteses
e adiando meus inúmeros pontos finais
porém, nada, mas nada mesmo, se comparou as minhas reticências...
dessas sim eu abusei, castiguei e as mantive num cativeiro de esperanças polissílabas
transformei-as em orações “insubordinadas”
onde os pronomes eram todos relativos e o objeto indireto
por isso instalou-se toda essa semântica.
por favor, chamem alguém entendido em português!
a confusão é muito grande
e por ter se dividido em sílabas, perdeu-se dentro da gramática
assim sendo as palavras tornaram-se facultativas
melhor então aquecer meus próprios predicados
e enfeitar a alma com interjeições e os tais verbos de ligação
notoriamente fiquei sem rumo, sem prefixo e sem sufixo
ao descobrir-me como artigo indefinido
no entanto, por ser simples e composto, claro e oculto
sinto-me presente, apesar de ainda conjugado
no futuro do pretérito.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Congênita Ternura


Congênita ternura

Não era bem isso e nem aquilo
mas, as palavras não me obedeceram
tomaram vida própria
e ocuparam o ponto mais alto do infinito
até que distraídas, sussurraram baixinho
um sem fim de analogias sobre os sentimentos
sorriram diante as vestes despojadas do não contentamento
e suicidas, jogaram-se de braços abertos,
de olhos bem fechados e ainda por cima vendados
no ventre das mãos de um azul já quase poente
mas era um azul tão azul, que azulava os sonhos
coloria os dias e alegrava as noites mais frias
alterava até mesmo o silêncio das estrelas
sendo assim, fez eclodir encantos, sorrisos, anseios, desejos e depois algumas incertezas
que atadas a conjecturas infundadas
foram pouco a pouco se debatendo nos rios da minh’alma
hoje relutam, querendo sobreviver emaranhadas sob as margens
porém, a dor, ainda insiste em transbordar dentro do peito
levando aos poucos a cor que ainda habita em mim
imprescindível agora é entender e aceitar as cores da verdade
acolhendo de bom grado os tons que por enquanto não se foram
afinal, a ternura não nasceu do acaso
era e é, ainda hoje, uma congênita ternura.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Discutindo com a natureza




QUERIA SER O SOL NO AMANHECER.
MAS E SE ELE NÃO NASCESSE?
O QUE VOCÊ FARIA? PERGUNTOU A NATUREZA.



AÍ EU SERIA A CHUVA.
MAS E SE ELA NÃO VIESSE?



EU SERIA O VENTO.
MAS E SE NÃO VENTASSE?
QUEM VOCÊ SERIA?


EU SERIA O DIA SEM SOL,
SEM CHUVA E SEM VENTO.
EU SERIA NUBLADO,
SEM GRAÇA E CINZENTO.
ESTÁ SATISFEITA ASSIM?
QUER SABER DE UMA COISA?
ENTÃO PREFIRO SER A NOITE
COM SEUS MISTÉRIOS E SEGREDOS.
MAS E SE NÃO ANOITECER?
INSISTIU A NATUREZA.


ENTÃO PREFIRO SER A LUA CHEIA.
MAS E SE ELA NÃO ENCANTAR?


SEREI ENTÃO A MADRUGADA.
MAS E SE ELA NÃO CHEGAR?




SEREI ENTÃO A NUVEM.
MAS E SE ELA NÃO SE FORMAR?




ENTÃO QUERO SER ESTRELA.
E SE ELA FOR CADENTE?
PUTA QUE O PARIU!!
PORRA!!
VOCÊ VENCEU!!
É SIMPLES!
CAIO COM ELA,
ARREBENTO-ME NO CHÃO,
E DEIXO DE SONHAR...
ESTÁ SATISFEITA ASSIM?


ALGUNS DIAS DEPOIS...








Que as lágrimas que caem, possam fazer germinar novas flores, novos sonhos e as mais lindas paisagens.
Elcio Tuiribepi





quinta-feira, 13 de novembro de 2008

PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA


BLOGAGEM COLETIVA "HOJE É DIA DE CECÍLIA"


Olá pessoal, um pouco atrasado, mas participando com muita honra da homenagem feita a Cecília Meireles numa blogagem coletiva. Quem quiser fazer uma postagem, fique a vontade, acho que todo dia é dia de se fazer homenagens a poetas como Cecília, Fernando Pessoa, Vinícius de Morais, Florbela Spanca etc...espero que na próxima eu não chegue atrasado...rsss...ABRAÇÃO GALERA, DESCULPA A CORRERIA...mas aos poucos vou respondendo todo mundo ok...Valeuuu...abraço na alma...

Visitem o link abaixo e participem...





PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA


Pergunto-te onde se acha a minha vida.

Em que dia fui eu.

Que hora existiu formada


de uma verdade minha bem possuída


Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.


E a quem é que pergunto?

Em quem penso, iludida

por esperanças hereditárias? E de cada

pergunta minha vai nascendo a sombra imensa

que envolve a posição dos olhos de quem pensa.


Já não sei mais a diferença

de ti, de mim, da coisa perguntada,

do silêncio da coisa irrespondida.



Cecília Meireles









domingo, 9 de novembro de 2008

Contabilidade de um falso poema


Contabilidade de um falso poema

Se nada é realmente o que parece
Como contabilizar o meu poema?
Se dos seus também não compreendo
Até dos que esboçavam as fórmulas da magia
As essências, as misturas e as simbologias
E muito, muito pouco as ciências exatas
Mas, que por pura lógica
Foi pactuando-se com a matemática
Abusando das raízes quadradas
Entregando-se as equações
Até que potencializando a própria razão
Numa sábia e esperada decisão
Resolveu depois certificar-se
Deixando apenas rastros no livro-caixa-poema
Pobre poema e sua contabilidade que não bate
Também pudera, arrancaram folhas
Adulteraram os balancetes e as primaveras
E até o responsabilizaram pelo frio do outono
Pobre falso livro-poema-caixa
Que ainda aguarda no passivo
Um dia transferir suas estrofes para o ativo
Por enquanto apenas rege a prudência
Os olhos estão cansados, já é madrugada
E as rasuras apesar de feitas, remendaram-se
Fecha-se o livro, as reticências dormem
Amanhã é outro dia...

sábado, 8 de novembro de 2008

FUGA


Olá pessoal, como havia dito, aí está o segundo poema-filme.
Neste falo sobre o comportamento inesperado do Florentino Ariza, que já com seus trinta e poucos anos, ainda virgem a esperar por Fermina, acaba sendo seduzido, ou melhor dizendo, estuprado por uma mulher misteriosa dentro da cabine de um navio. Daí em diante sua vida toma outros rumos e por incrível que pareça, no decorrer dos anos, ele tem casos com nada mais nada menos que 622 mulheres. Sendo que dentre as 622, acontece uma paixão com final trágico. Fiz as contas e dá uma média de um caso a cada 20 dias mais ou menos...rsss...

Um fato que me chamou a atenção é que se a história do filme se desenrolasse nos anos 90, com certeza o título seria “Amor nos tempos da AIDS” e provavelmente o nosso Florentino, levando uma vida tão promíscua, não chegaria ao final tão esperado..rssss

Fuga

É porque o sonho não vingou
De tão real e consciente
Que eu agora planto risos
Risos soltos e valentes

É porque o sol não acordou
De tão frio e indiferente
Que eu agora beijo luas
Luas cheias e crescentes

É porque o céu não azulou
De tão cinza e indolente
Que eu agora busco estrelas
Estrelas guias e regentes

É porque o vento não soprou
De tão fraco e complacente
Que eu agora guardo brisas
Brisas loucas e calientes

É porque a flor não perfumou
De tão seca e tão ausente
Que eu agora colho versos
Versos brancos e envolventes

É porque a chuva não molhou
De tão fina e intermitente
Que eu agora rego a alma
Alma nova e revivente


Abaixo deixo algumas críticas que variam de acordo com a sensiblidade cinematográfica de cada um. Grande abraço para todos...bom final de semana.

"A direção de arte e os figurinos são primorosos, e retratam com requinte um período que engloba o final do século XIX e o começo do século XX. "

"A maquiagem e o processo de envelhecimento dos personagens também são bons, com algumas exceções. Ainda assim, na telona, O Amor no Tempo do Cólera não possui a mesma força dramática da obra original."

"Talvez algumas coisas simplesmente fiquem melhor no papel do que na tela. Pode ser que a explicação seja simples assim."

"O elenco é bom, com destaque para o intenso Javier Bardém – e sua incrível capacidade de conferir veracidade a qualquer personagem - e nossa diva Fernanda Montenegro como sua mãe também arrasa."

"Adaptar grandes romances de grandes autores, como o nobelizado Gabriel García Marquez, é um sempre um risco que produtores e realizadores correm: a comparação entre o livro e o filme é inevitável." Mas ainda assim compensa vê-lo."

"Mike Newell arriscou e ganhou, dando-nos um belíssimo filme que dignifica a obra do imortal escritor colombiano. Com uma excelente fotografia e uma banda sonora interessante"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A doce e rubra cor dos seus cabelos


Mesmo sem ter lido o livro, o filme “Amor nos tempos do cólera” me pareceu um pouco fraco em sua produção. Algumas cenas são cortadas abruptamente e parece realmente faltar muito do conteúdo do livro. Fica também uma impressão meio estranha quanto à maquiagem usada. Com os recursos que se tem hoje em dia, não poderiam passar aquelas mãos, nucas e braços de quase oitenta anos com aparências de trinta e poucos. O que salva ainda é a história, que é muito bonita e interessante, a beleza das paisagens, e algumas interpretações como a da Fernanda Montenegro e do ator que representou o Florentino Ariza. Valeu ter visto...pois assim que terminei, fiz mais dois poemas-filme. Esse primeiro retrata a sua perseverança após Fermina casar-se com um médico...o segundo ainda estou mexendo...brincando...explorando as palavras...Valeu galera...boa quarta para todo mundo!



A doce e rubra cor dos seus cabelos
(Para Florentino Ariza e Fermina)


Mesmo que o vento levasse a primavera
Tal qual a correnteza que leva a vida
Eu não perderia dos meus olhos
A delicada e doce rubra cor dos seus cabelos

Mesmo que a dor me fosse intermitente
Tal qual a doença mais estúpida que há
Eu não perderia dos meus olhos
A imagem da nossa juventude interrompida

Mesmo que a terra se consumisse em fogo
Tal qual a centelha que arde e queima
Eu não perderia da minh’alma
A fagulha que me acende encantamentos

Mesmo que a tempestade espalhasse o medo
Tal qual a chuva que desaba como as lágrimas
Eu não perderia da minh’alma
A ternura que do sol ainda emana e contagia

segunda-feira, 3 de novembro de 2008


Bom dia galera, super enrolado, mas prometo responder a todos. Boa semana pra todo mundo...abraço na alma.
MEU OLHAR É VAZIO
JÁ QUASE SEM HORIZONTE
OLHO E NÃO VEJO
SINTO QUE NÃO SINTO
NEM FORÇA E NEM VONTADE
SÓ DOR, TRISTEZA
E O VENTO FRIO
QUE ME ESPREITA A ALMA


EU BUSCO A VIDA
MAS SOU O IMPROVÁVEL
E QUANDO CHORO
SOU LÁGRIMA
QUE CAI SOLITÁRIA
E NA FACE POUSA
ONDE O ROSTO QUEIMA
E OS OSSOS GEMEM


DEITO SEM JEITO
E A DIFICULDADE
QUE ME FAZ IMÓVEL
NÃO ME SURPREENDE
SÓ MALTRATA
É VELHA CONHECIDA
DA INFÂNCIA POBRE
E TAMBÉM SOFRIDA


SOU IMPASSÍVEL A TUDO
INCOMPREENSÍVEL A TODOS
E SEM PALAVRAS
SOU SÓ GEMIDOS
E BALBUCIOS
TENHO SONO, FRIO
CALOR, SUOR, ESPERANÇA
E REMÉDIOS TOLOS


AO MEU REDOR PESSOAS
QUE CUIDAM DE MIM
E ATÔNITAS ME OLHAM
COM PENA OU RESPEITO
COM DÓ OU AMOR
E EU SEM RESPOSTAS
NA MINHA QUIETUDE
SOU INTERROGAÇÃO

QUE CHORA E SILENCIA


ERREI E ACERTEI
NÃO FUI PERFEITA
DEI O QUE RECEBI
SE FOI POUCO
NÃO SEI DIZER
FIZ O QUE PODIA
O MEU POSSÍVEL
DIANTE O IMPOSSÍVEL
DO QUE NÃO PUDE
PEÇO ENTÃO PERDÃO


SOU UMA IDOSA
JÁ NÃO FALO
E POUCO ESCUTO
SEMPRE DORMINDO
JÁ NÃO ANDO
E ÓRFÃO DE MOVIMENTOS
VIREI UMA CRIANÇA
QUE NÃO BRINCA
NÃO CORRE
E NEM MESMO SORRI


MAS TENHO EM DEUS
O MEU MILAGRE
O MEU SONHO IMORTAL
QUE HÁ DE DESPERTAR
PLENO EM MINHA FÉ
QUANDO AQUI CHEGAR
EM BUSCA DA MINHA ALMA
A DERRADEIRA DESPEDIDA