domingo, 18 de janeiro de 2009


“Que eles não me possam ler”

Às vezes tento decifrar os enigmas de alguns poemas
devoro-os como se fossem bula de remédio
e fico atento ao destino dado as suas prescrições
redobro o cuidado em sua administração
e ainda mantenho sua conservação
respeito rigorosamente cada posologia, posto que já sabia do enunciado
para que assim eu evite as superdosagens, já ciente das contra-indicações
mas, apesar disso, dou-lhes plena liberdade de expressão
para que se desenvolvam de forma livre
até mesmo, quando teimosos
insistem em querer atravessar mais precipícios
caminhando sobre a corda-bamba
“QUE ELES NÃO ME POSSAM LER”
mas, é que lá embaixo, eu, de olhos sempre abertos
e constantemente poesia, canção e emoção
estendo nuvens e espalho pétalas pelo chão
é que nesta travessia não há rede
apenas um tênue fio, invisível e já deteriorado
que valentemente, ainda sustenta
toda essa não conformação

13 comentários:

  1. Que não nos leiam...
    Será que lêem?

    Dizem que 'ninguém escreve só porque prefere'...
    De alguma forma na arte, tudo podemos.
    Aquilo que nos negam, podemos nela, elaborar.
    E tudo pode, E podes mesmo.
    Mas que não leiam, o que está dentro de nós, em nossos poemas.

    Bem, mas se o Pessoa disse que somos 'fingidores' e se lerem nossos poemas e nosso pensamento, que juremos ser mentira.

    Abraços,

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  2. Perfeita!
    Nossa meu coração, minha alma, minha cabeça agradeçem.
    beijos

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  3. Elcio, obrigada pela visita, vim retribuir. e encontro aqui uma magia transcendente, magnificamente feita poesia, belíssimas.Me encantei muito com a Metamorfose da Lágrima divina.

    Sucesso sempre prá você.
    Beijos e excelente semana.
    Cleo

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  4. Da poesia, meu amigo, morreremos de superdosagem! Abçs

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  5. Dizem os entendidos que as palavras de um poema só podem ser arquitetadas depois do sentimento pronto, talvez tenham razão, por isso tá cheio de poemas com um amontoado de palavras inúteis. Prefiro os seu que são lúcidos. Desculpe Elcio, acho que eu sai fora do contexto. Abraço

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  6. Que se passa com esta nuvem de poetas, seres desvairados e de difícil entendimento.
    Loucos dotados de palavras sentidas, condenados a empurrar
    as pedras do impossível.

    Aparecem, desaparecem.

    Alguns teimam neste lançar
    para o vento as estranhas
    e sedutoras bizarrias
    que forram tempestuosamente
    a sua pele aprisionando
    o seu ser amarrotado por necessidade de clareza, água pura e cristalina que deslize pela quebrada da existência apontando um caminho na multiplicidade devoradora de sentidos.

    Nuvem insustentável de poetas
    que insistem em aparecer,
    que choram e riem em asilo de loucura aberta, sonhando com casas amplas de liberdade desenhando paredes que não se querem,
    letras que o tempo apaga
    possíveis esgares de eternidade.

    Para quê este desvairado agitar
    de seres doridos e utopicamente
    em confusão?

    Pobres poetas opacos
    ou translúcidos possíveis mensageiros de um Deus distraído.

    Poetas viajantes das nuvens,
    passageiros do vento
    esperando chuva benfazeja para
    desconfortavelmente se diluírem.

    Que se passa com esta nuvem de poetas que esquecem de construir "POESIAS"?

    Bom Dia, POETA!!!

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  7. Excelente reflexão!! Adorei! Muitos beijos.

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  8. Seus poemas são sempre tão lúcidos e reflexivos meu lindo amigo!
    Adoro todos eles e te digo que sou sua fã incondicional.
    Um grande beijo e uma semana perfeita pra você bonitinho!

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  9. Olá Poeta... ao ler suas palavras fiquei lembrando que sempre acreditei em fios invisíveis que vão nos ligando as pessoas... assim é a vida e vamos a cada dia nesses fios nos enrolando, observando, vivendo e aprendendo.

    A caminhada em meu fio da vida se tornam oras alegres e confiantes, oras uma escalada em montanhas ingremes com obstáculos...

    O importante é não desistir da travessia nunca.

    A música Travessia é maravilhosa, impossível ler seu texto sem recorda-la:

    Uma bela semana para o seu coração Poeta!

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  10. Élcio

    Já reli tanto. Escuto a música. E confesso me veio algumas coisas para comentar, mas não sei dizer agora.

    Volto...


    abraços

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  11. Elcio meu querido,
    tem uns selos pro teu blog. Fique à vontade para aceitá-los ou não e caso queira, pegue quantos quiser. Beijos.

    PS: Os selinhos estão na barra lateral do meu blog ok?

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  12. É assim que me sinto, Elcio. Como se lesse bula de remédio e outras vezes, é como ler livro de criança. E como sempre, belo poema.

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Semeando