quinta-feira, 12 de março de 2009

No que ainda posso me ouvir


A COISA

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

Mario Quintana

Caramba...não é que a vezes é assim mesmo, por isso vou postar este poema, que acho que já nem sei...rsrs...Um abraço na alma...


No que ainda posso me ouvir

Bastaria um pingo de azul no intransponível
para que se transbordasse o inesperado
no entanto, há um talvez quase insolúvel
ainda mais forte que o próprio entendimento
e que por tão conscientemente indefinido
enlouqueça no equilíbrio embriagado
há portanto um sujeito indeterminado
e verdades não suficientemente tácitas
represadas num quem sabe de suposições insaciáveis
onde o que talvez permanecesse indecifrável
não mais que de repente se decifre inatingível
porém, intransigente, no que ainda posso me ouvir
quase é não ou coisa muito parecida
que ao acaso, supostamente embevecida
hesite diante a miragem descabida
não que isso não seja um tanto de mim
que não seja eu mesmo, também
um poema inacabado...

16 comentários:

  1. Um dia ao se achar completo deixa de ser humano, um dia ao achar que o poema esta acabado deixa de ser poeta. Carinhosamente Dinigro Rocha

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  2. Oi, amigo.

    Maravilha o pensamento de Quintana. É mesmo isso, não?

    Teus poemas, sou suspeita.
    Mas sempre será possível nos ouvirmos.

    Carinho,Élcio.

    Mai

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  3. Primeiro vou comentar A coisa. Estou rindo. É isso mesmo. As vezes tem gente que vê bem certinho o que queríamos dizer, e tem quem veja o que estávamos precisando ver e não víamos.

    O blog é bom nesse sentido, abre um leque de olhares em nossa mente, e muitos leem a alma.

    beijo.

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  4. Amigo, vou caminhar pensando no que li, depois volto.

    O seu escrever é profundo.....

    volto!

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  5. Provei o fel sabor de uma outra vida
    Nas ruas desnudadas, lotes incertos do sem andar…
    Caminhei pelos desertos secos de alma perdida
    Entrando pela porta em que ninguém quer entrar

    Passando para dizer,
    Que sempre me apraz aqui estar…
    Que nesta sexta-feira treze,
    Aconteça o que acontecer
    Um bom fim-de-semana irá ser
    E que o amor e paz possa reinar!

    O eterno abraço…

    -MANZAS-

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  6. .....e feito um poema inacabado
    tem belezas, sentimentos, emoções
    amores, vidas....

    .....e feito um poema inacabado
    precisa ser lido e relido, mexido,
    burilado.

    ....e feito um poema inacabado
    é completo no todo, onde o todo é indecifrável e o outro pode ajudar a completar o incompleto ser poema....

    ....e feito um poema inacabado, o sujeito pode se perceber indeterminado, mas a essência do sujeito nunca está oculta.



    (e novamente me lembrei de Mai e Dauri, vocês me inquietam)


    pense num abraço amigo. Abraço.

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  7. Desculpa, hj não vou comentar "você", hj vou comentar 'Quintana".
    E não é que ele está certo?
    E não é essa a graça do poeta?
    Ser entendido por todos e por ninguém de varias formas diferentes...

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  8. Elcio, o que sinto é uma explosão de sentimento que não cabem dentro do seu peito... E através de palavras dançantes, vc vai colocando pra fora...rsrrs

    "E o leitor entende outra coisa..."

    rsrsrsrsrs


    Beijos avassaladores!

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  9. Que maravilha este pensamento! É isso mesmo...

    Beijão!
    Tenha um ótimo final de semana!

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  10. Ah,
    Adorei seu poema, são sempre maravilhosos, muito bom te ler!

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  11. O interessante as vezes é o entendimento de cada pessoa....qndo nao foca a verdade......

    gosto de mais de Quintana...muito bom mesmo....

    abraços

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  12. Ainda ontem pensava que não era

    Ainda ontem pensava que não era
    mais do que um fragmento trémulo sem ritmo na esfera da vida.

    Hoje sei que sou eu a esfera,
    e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

    Eles dizem-me no seu despertar:
    " Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
    sobre a margem infinita de um mar infinito."

    E no meu sonho eu respondo-lhes:

    "Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem."

    Só uma vez fiquei mudo.

    Foi quando um homem me perguntou:

    "Quem és tu?"

    Kahlil Gibran

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  13. SIMPLESMENTE ,LINDO!
    obrigada,pela visita e comentário,espero que tenha pego seu Selo,é um simples carinho aos amigos do blog.
    beijos
    Mari

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  14. Oi Elcio, estava sem computador por isso sumi, mas agora estou de volta.


    Bjs.

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  15. Olá boa tarde, antes de mais um muito obrigado pela visita aos universos questionaveis.

    Quanto ao poema, ilustra bem como a realidade é seja interpretada. Faz-me lembrar sempre que as coisas que nos rodeiam nunca são conhecidas em si mesmas, mas enquanto «coisas para» nós. todo o olhar, leitura, contacto é sempre intrepretação e construção, é sempre uma diferente e nova realidade.

    deixo um sorriso cósmico
    ~universosquestionaveis~
    CS

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