sexta-feira, 3 de julho de 2009

Déjà vu

Fala pessoal...bom fim de semana pra todo mundo. Um abraço na alma.
Entrevista concedida no blog Fio de Ariadne, taí o link...valeu galera...

http://fio-de-ariadne.blogspot.com/


Déjà vu



Havia um velho barraco e "uma gente"

uma certeza em vão e "sete fomes" urrando

havia um fogareiro e uma chama que ardia

uma garrafa com água e "várias sedes" vazias

havia um copo e uma roupa sem cama

uma vontade vencida e uma ainda gritando

havia uma chance e outras duas vagando

um pedaço de hoje e um "tal Déjà vu"

havia um prato e uma raspa esperando

um naco de pão e uma vontade sofrida

havia um teto de "prástico" e um vento na pele

um frio rasgando e uma doença sorrindo




havia um lixão e alguns delírios na alma

uma pedra no estômago e uma ferida na mão

havia uma dor e um "tantin de esperança"

uma vasilha no fogo e uma outra no chão




havia um pai e uma tristeza latente

uma mãe solidária e um só cobertor

havia em meus olhos uma voz embargada

uma fome de ontem e também de amanhã

é que havia um havia que eu já sabia

pois o havia que eu via

não havia de ser...





Charge: Cacinho



Fotos: Sebastião Salgado

12 comentários:

  1. Um excelente post, Elcio! Bom fim de semana também para você. Beijos.

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  2. Quem dera ter esse talento de fazer poesia engajada...Abraços!

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  3. Pera deixa eu respirar fundo pra comentar este seu post de hj...

    Quem dera que estas passagens não fossem repetitivas na vida de muitas pessoas, que sim a esperança e uma condição melhor estivessem presentes na vida de cada um.Que fosse apenas uma tempo ruim, passageiro...que os pés descalços estivem sempre aquecidos, que pudessem sentir o gosto prazeroso do alimento dia à dia,...que os sorrisos fossem de gratidão pelo pedido alcançado.Que a tristeza fosse embora, e que o corpo estivesse sempre aquecido com calor humano...Que pudessem enfim, ter o pão de cada dia para adormecerem com sonhos bons para outro amanhã...


    Obrigada por me fazer acreditar que ainda existem pessoas que se preocupam, seja de qual forma for com o próximo...

    A sua em especial , com certeza irá tocar muitos corações nesta noite de frio...

    Bjos e obrigada pelo post de hj...
    Bom final de semana pra ti

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  4. Real e duro. Vida louca e faminta. Unhas sujas do lixo político que mata de fome o homem e joga no lixão o supérfluo da riqueza o lixo do luxo que ficará por debaixo da unha...
    E somos iguais e seremos todos humus que decomporá e ficaremos às moscas, igualmente.

    Puxa, Élcio rasgaste-me com uma lâmina o coração.

    E no 'tantin' de esperança o teto, ainda é de 'prástico'.

    Abraços,
    Mai

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  5. Élcio,
    Um cenário de contrastes duramente cruel e... real. Muito forte teus versos. Um convite à reflexão e à ação!

    Fiquei conhecendo um pouquinho mais de você, hoje e fiquei muito honrada com a citação do meu novo blog. Valeu mesmo, Élcio!

    Um grande abraço e bom final de semana!

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  6. Lindas as fotos que ilustram seu post. Lindas mesmo.
    Bom fim de semana, querido!
    Beijos.

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  7. amanhã termina a votação..
    http:cacinho.conexaovivo.com.br
    pegou o Betinho né!!
    esse desenho eu fiz sem querer.. tava rabiscando e saiu a carica dele...
    beijão Tui

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  8. Tudo acontece debaixo dos nossos olhos...Vidas de "prástico, tantin..." Muito bom! Abraço

    PS: Gostei do novo visual

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  9. Élcio, fiquei rindo com os canibais...escritos em épocas diferentes,por motivos diferentes, mas gostei da associação rsrsr

    Quanto ao que você escreveu imaginei uma continuação, um conto, um romance.

    Essa forma que você joga com as palavras, só um exemplo,porque o poema é todo assim:
    "havia um teto de "prástico" e um vento na pele
    um frio rasgando e uma doença sorrindo"

    Porque eu vou de um lado ao ao outro na emoção, feito numa canoa..

    O social, o humano, o poético....muita emoção.

    Fantástico!

    beijo

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  10. Um post estupendo.
    Maravilhoso mesmo.

    Big hug!

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  11. O teu poema é um retrato da ganância humana, só enxerga a si e não percebe que a dor do outro é reflexo de olharmos somente pra nós e não se importa com que está em volta. Abçs.

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Semeando