segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sintomas primaveris de um quase verão




Sintomas primaveris de um quase verão


Ainda sopra um vento no meu poema
E de tanto ele rein-ventar palavras
Acabei dando asas as minhas incertezas tão certas
Por isso ainda vôo, como quem voa sem medo
E ainda plano, assim como quem plana
Sob o céu e sobre os oceanos
Ao parafrasear as estações com meus tons mais cotidianos
Sendo assim, vou absorvendo na alma, um tanto de cada estação
Por isso recolho as folhas secas derramadas do outono
E as protejo do frio que se instalou nesse meu inverno
Logo que depois inconsciente, perdoei o sol que por ventura
ainda acolhia com ternura os meus tais sintomas de verão
é que as vezes me bate uma brisa enlouquecida
e já em outras, uma ventania que mais lembra calmaria
porém, nessas intempéries, há também um suave perfume
uma alquimia que me lembra o frescor das azaléias
a invadir-me a alma com a sua primavera
transformando com afeto toda a ausência em alegria
assim numa linguagem meio que abstrata, quase que não tangível
mas, de um azul tão macio, que me lembra a textura de uma flor
além disso, teu semblante é de uma candura tão flagrante
que mareja os olhos e faz explodir a carne com outros sentidos
ah...essa coisa de tão sublime e tão carnal, necessita de respostas
necessita conjugar os verbos mais distantes no presente
pois as palavras que ora se perdem, estão interligadas
aos territórios do corpo e da alma
e não há mais como orquestrar esta inquietação que não se ausenta
já que ainda soberana, ainda me incendeia os poros e a pele
nessa intransparência enternecida que padece
devido ao calor e ao queixume que me apetece este verão
já que desde aquele dia
os dias e as noites nunca mais foram iguais
pois deixaram em meus olhos
um olhar e um talvez
um sei lá embriagante
e a rubra cor da sua tez

22 comentários:

  1. Ai seu poema é bonito, mas me angustiou, pois eu não gosto de "quase". Dá uma dor no coração quando a gente "quase" chegou lá... não, quase é nada.
    E o amor deve ser tudo.
    ainda assim, gostei muito das palavras e, como todo bom escrito, plantou efeitos.
    bjos.
    Ah, obrigada pela visita, volte sempre!

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  2. Por essas e outras gosto mais do outono. Acho a estação das mais poéticas! Pena não ser outono o ano todo!

    Belíssimo poema, mais uma vez!
    Beijo carinhoso,
    K.

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  3. Eu e minha falta de disciplina em visitar os amigos... Casa nova, tudo novo por aqui!!! Gostei.

    Esses sopros de primavera... aii
    Acolhem corpo e alma.
    Sintonizam auras
    Tocam fundo memórias e verdade que não saem do coração.

    Beijossss

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  4. Como sempre, na veia..
    mó orgulho de ser irmão de um camarada tão poeta quanto amigo..
    vou animar um poema seu...
    depois te mostro...

    beijos

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  5. Tem uma coisinha pra voce no meu blog dá uma passadinha la! Boa tarde
    http://deseosdiamore.blogspot.com/

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  6. "já que desde aquele dia
    os dias e as noites nunca mais foram iguais
    pois deixaram em meus olhos
    um olhar e um talvez
    um sei lá embriagante"

    Que lindo!
    Adorei o poema, parabéns!
    Linda semana pra vc, querido.
    Beijinho!

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  7. Querido Élcio, eu não consigo ler seus poemas, pois todos os seus escritos têm vida própria e qdo os vejos os sinto em mim, e este, nesta noite invernal, me trouxe a primavera. Adorei. Abçs amigo.

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  8. Olá, Elcio querido poeta!
    Delicioso ler seu Sintomas Primaveris de um Quase Verão...
    Acho que já lhe falei que seu toque romântico é um dos mais adoráveis e sinceros que tenho lido...vai além das palavras e rimas...Bjs e uma vida linda para vc!

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  9. Eis aqui a alma do poeta, não adianta nem retrucar meu amigo, você é único com um estilo Elcio de ser que encanta a todos nós. Abraço

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  10. "ah...essa coisa de tão sublime e tão carnal, necessita de respostas
    necessita conjugar os verbos mais distantes no presente
    pois as palavras que ora se perdem, estão interligadas
    aos territórios do corpo e da alma..."

    Élcio, voce está se superando a cada dia...
    poemas de uma paixão estonteante...

    Esse necessitar de respostas... a gente nunca as tem...rs

    Por enquanto, me bastam seus versos...

    As respostas, a gente deixa para depois...

    Beijos na alma!

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  11. Genial Poeta Amigo:
    Um belo poema de fascinar e encantar.
    Plane deliciosamente. Conquiste o seu enorme voo de gigante sentimento.
    Tudo aqui "respira" de pureza e beleza.
    Os seus poemas são talentosos e brilhantes.
    Teve mais uma "explosão" poética admirável e enorme de talento.
    Sabe, poetas como VOCÊ, merecem ser idolatrados e lidos com atenção e cuidado pela genialidade de amplitude e grandeza latentes naquilo que faz e faz excelentemente.
    Parabéns sinceros, amigo fabuloso.

    Abraço amigo de imenso respeito e estima.
    Sempre a lê-lo atentamente.

    pena

    EXTRAORDINÁRIO!
    Bem-Haja amigo pela sua amabilidade para comigo.

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  12. Um poema que fala das estações da alma. Falou da minha.

    Beijos, boa tarde!

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  13. Só consigo dizer que és Impar!
    Leio-te e sinto uma espécie de encantamento que me fascina.
    Tens uma lembrancinha no meu blog.
    Um beijo enorme.

    PS - Não sei se vais gostar mas só quero que saibas que pensei em ti. ;D

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  14. não gosto de verão nao..prefiro o frio nao tão intenso...


    Agradeço a vc sempre presente entrando numa fria..

    abraços

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  15. E o vento sopra palavra aos teus ouvidos e assim sopras poemas, querido amigo.

    Abraços e muita admiração.

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  16. O quase acaba perseguindo a todos nós. Como algo que a gente acha que tem, mas se nos descuidarmos, acabamos por perder.
    Beijo grande.

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  17. E pensar que é justamente desta pequena semente que ainda restou que pode ocorrer um mundo de coisas a mais...

    Abraço forte, Elcio.
    Continuemos...

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  18. Você inicia dizendo...Que ainda sopra um vento...
    E ao ler eu percebi que a brisa acompanha cada letra com uma forma de pura ternura!
    É muito bom sentir no coração momentos assim... Mesmo que em nosso íntimo ainda tenha um quê de ter faltado algo para o momento ser sublime.

    Um beijo carinhoso

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  19. Sintomas primaveris de um quase verão... Só o título já é lindo.
    Maravilhoso, tudo poesia.

    Abraço, com carinho
    Bom domingo!

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  20. Nesses sintomas, o poeta transferiu as sensações das estações para o próprio organismo, parece! E misturou cores e flores e odores, numa sensibilidade que se interligou aos ciclos da natureza.
    Uma "sinestesia" perpassa o seu poema. De vários elementos, brotam sensações que se entrelaçam.
    Ficou bonito!
    Abraço, poeta!
    Dora

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  21. E como haveremos de orquestrar a inquietação que não se ausenta?

    Adorei os seus sintomas primaveris de um quase verão.
    Setembro está pra chegar e a minha primavera há de florescer.

    Beijos!

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