sábado, 28 de fevereiro de 2009

A sóbria embriaguez das reticências



A sóbria embriaguez das reticências

Venho matando a minha sede
Nessa brisa que me passa
Embriago-me com seus agora raros afagos
E faço dela intensa ventania
Seja ímpeto ou infinidade
Prefiro conceber de mim o inevitável
O que me transcende transgredindo
Espontaneamente dentro da alma
Já que transbordante de sentidos
Escolho a sóbria embriaguez mais aflorada
Ao equilíbrio tão ausente do acaso
Portanto, necessário se faz germinar
A essência da boa palavra
Para que ela não morra de quietude
No silêncio do poema enclausurado
Pois quero devorar a palavra “eco”
Para que ele se repita dentro de mim
Reverberando alumbramentos
Não que seja todo ele, ainda mistério
Posto que em mim coabitam
Suas texturas e entrelinhas
No entanto, falta-me
A permanência de suas gramaturas
Onde ternura e carinho
Ficaram para sempre
Nas reticências que em mim
Ainda sobrevivem
É que minha alma
É assim...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É BEM MAIS SIMPLES O LILÁS DA FLOR-DE-LIS



OLá pessoal, este poema nasceu a partir de uma lista que fiz de quase trezentos titulos de músicas da nossa MPB(Chico, Djavan, Milton, Ana Carolina,Ivan Lins,Adriana Calcanhoto e por aí a fora...
A partir dos titulos, somente dos titulos, fiz dois poemas, depois eu e o mano Edu juntamos os dois e fizemos este poema-canção. Foi nossa primeira parceria musical. Como podem ver, já no titulo do poema, duas músicas do Djavan se destacam..."Lilás e Flor-de-lis"...
Quem mais se arrisca no restante? Rsss...Cito aqui também "Insensatez" que gosto muito...
Um abraço na alma pessoal...feriado acabou, molezinha também...vamos trampar...rss



É BEM MAIS SIMPLES O LILÁS DA FLOR-DE-LIS

DO PESADELO HÁ QUANTO TEMPO A MINHA SINA
DA CHAMA QUENTE DO CONFLITO A INSENSATEZ
TODA A SAUDADE O CORAÇÃO EM DESALINHO
É MAL DE MIM POR UM SEGUNDO SER FELIZ

ATRÁS DA PORTA É SENTINELA A MINHA INSÔNIA
TEMPO PERDIDO DE UM INVERNO DE PROMESSAS
QUE VAI SANGRANDO NA MISÉRIA DAS MENTIRAS
DOIS CORAÇÕES, MAIS QUE A PAIXÃO, ESTÓRIA ANTIGA

LÁ DE LONGE, OUTRAS PALAVRAS JÁ É TARDE
DAS SUAS JURAS O MEU DOM DE ILUDIR
FOME DE AMOR, NADA PRA MIM, FIQUEI SOZINHO
MEU BEM QUERER, ATÉ O FIM, ONDE ANDARÁ

DE CORPO E ALMA, SEM VOCÊ O DESALENTO
DE FLOR EM FLOR, UM SOLITÁRIO PASSARIM
DIAS DE CHUVA, ESPELHOS D’ÁGUA NA VARANDA
CHOVE LÁ FORA E A MINHA VIDA EM SUAS MÃOS

O QUE SERÁ DAS CICATRIZES DO MEU VÍCIO
COTIDIANO PENSAMENTO SEM RESPOSTA
O BEM E O MAL NUNCA TALVEZ SEJA ENCONTRO
É BEM MAIS SIMPLES O LILÁS DA FLOR-DE-LIS

ELCIO TUIRIBEPI
EDU TORIBE

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009



Sem querendo...

Já não me ando cobrando as perdas
Abri os olhos e insentei o coração
Se hoje distraído ainda me afogo
Não é sem querer, é que me concedo
Nadar contra a corrente com as mãos atadas
E de olhos meio que vendados
Então se me perco de mim mesmo
Acabo sem querer me reencontrando
Entre o sonho e a realidade
Mesmo assim fico com a certeza...
Com a clareza de que não sou nem mais, nem menos
De que não sou nem bom, nem mau
Sou apenas uma grata ternura adiada
Uma coragem quase que imprevista
Abastecida de carinhos, desejos e verdades
Por isso, nada mais me inocenta ou me condena
Apenas reescreve em minha alma
O que de ontem ainda persisto
Exatamente por isso, ainda insisto
Ainda navego, nesse mar sem mar
Ainda sonho, sem querer acordar
Ainda corro, querendo chegar
Ainda amo, querendo amar
Talvez por isso, eu não queira mais adiar o inadiável
Apenas aguardo, a hora chegar
Apenas quero, no poema habitar

sábado, 21 de fevereiro de 2009



Olá pessoal...um ótimo feriado para todos, bom carnaval...
Depois apareço para comentar...nada de correria...rs...quero descansar...quero sol...
Um abraço na alma folia...rs


Seja bem vinda simplicidade!

Eu hoje acordei simplicidade
Com o sol sorrindo em minha janela
Recebi um abraço do vento
E solidário retribui olhares ao bem-te-vi
Joguei beijos para o beija-flor
E agradecendo aos céus pela natureza
Impregnei de poemas meu café com leite
Para assim saborear as idéias que passei no pão

Depois fui colher palavras num pé de versos
Para lambuzar de alegria a minha alma
Saboreando velhos frutos imaginários
Colhidos carinhosamente num pé de nostalgia
Até que de repente acordei
E abri com receio os olhos da minha alma
E lá estavam elas, inertes, enraizadas no cinza frio do asfalto
A não natureza, a não fraternidade e a não simplicidade
Foi neste momento que percebi que não basta a pureza do beija-flor
E nem mesmo o canto alegre do bem-te-vi

Há de se doar para o mundo não só o calor do sol
Mas o calor humano, a fraternidade,a simplicidade
Há de se fazer realizar não só os grandes sonhos
Mas as pequenas necessidades, os pequenos gestos
Há de se fazer nascer um novo tempo, um novo mundo

Onde os corações pulsem num outro ritmo
Embalados pelas sons das canções de solidariedade
Pra que assim os girassóis possam brotar na dureza dos asfaltos
Aí eu poderia sem dúvidas afirmar, que isso também é "AMOR"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


Olá pessoal, a correria está grande, mas hoje, apesar de tudo, foi um dia proveitoso em todos os sentidos. Acabei de chegar da facul, e como lá tambem deu tudo certo na apresentação e defesa do trabalho, resolvi fazer um post mesmo estando quebradaço. É que no finalzinho da aula ainda saiu este poeminha...logicamente que na correria...rs...no frigir dos ovos...rs....Bom...até sexta ainda vou tentar comentar, mas se não conseguir, o carná está vindo aí e prometo tirar um tempinho para visitar os amigos e colocar os coments em dia ok...amanhã cedão de novo...aff...mas tá bom demais...rs
Um abraço na alma de todos...deixa eu correr...valeuuuu



Eu, correria

Ando correndo
Tentando alcançar o tempo
Ando correndo
Tropeçando nas palavras
Ando correndo
Perdoando os propósitos
Ando correndo
Alertando o poema
Ando correndo
E esquecendo dos medos
Ando correndo
Para lembrar minha pressa
Ando correndo
Abraçando os momentos
Ando correndo
Para chegar mais depressa
Ando correndo...ando corrennnnnnnnnn...fuiiiiii

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009



Fala pessoal, poema sobre imagem, parceria com o mano Cacinho...enrolado para comentar, trabalho e facul tomando todo meu tempo, mas uma hora apareço...um abração na alma de todos...boa semana...Valeu Cacinhoooo...bjo na alma e no coração...

http://animadodesenho.blogspot.com

Tempo e espaço

Na solidão entre tempo e espaço
Apenas vislumbro o azul no horizonte
E tento chegar, lá onde se assemelham o céu e o mar
Velas içadas, sobrepostas, velam veladas
Os poemas que em mim ainda navegam
Brisas, ventanias, sonhos e tempestades
Ainda permanecem nuvens em nossas almas
Diante a não solução inalterada
Portanto, poetando, somos sugados em movediças
Em meio a marés tão distantes
Em meio a correntes tão inconstantes
Dê-me suas mãos, seus olhos
Teus cabelos, tua vida
Dê-me teu sorriso
Teu carinho, teu abraço
Dê-me suas entranhas
Tua pele, teus contornos
Pra que eu te possa por inteiro
Ter pra sempre
Liberdade...

Cacinho
Elcio Tuiribepi

sábado, 14 de fevereiro de 2009



Olá pessoal...hoje sem comentários, apenas o poema. Um abraço na alma.


Poemas submersos

Navega dentro de mim
uma embarcação abastecida de azuis
tão óbvio seria eu a embarcar
não fosse a turbulência das marés
a me afogar nas calmarias
é que eu aprendi a nadar no frio das águas
apesar dos desejos terem se jogado ao mar
após perderem de si mesmos as próprias rotas
também pudera, a bússola congelou de tão fria
os mastros se quebraram nas tempestades
e as velas que outrora foram erguidas
recolheram-se com receio das tormentas
na verdade acomodaram-se ao esperar por almejadas calmarias
as mesmas que ainda detém a sofisticação tão desejada
não bastasse isso, ainda confessaram ter adotado o outono
quando baniram dos meus dias a presença da primavera
apesar de todas essas não alegrias e das tantas alegrias veladas
o mar continua verso dentro de mim
e os poemas cada vez mais vivos em meu ser
quanto as velas...ah...as velas
pena que nunca se atreveram a viajar na bucólica sofisticação que
reside na simplicidade da minha alma
Mas qual seria o propósito do significado?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009



Hoje as palavras ficaram assim...semi-nuas...desbotadas...caladas e surpresas
Bom...já nem sei...mas é assim...uma hora há de melhorar por inteiro...um abraço na alma de todos.

Semi-nuas

Fácil é caminhar de olhos abertos
Desviando de pedras, rochas sedimentadas,
Árvores e rios caudalosos
Fácil é cansar os olhos e desistir da miragem
Fácil, deveras mente fácil
Seria não colher todo o azul que me habita
Já difícil, confesso
É caminhar sobre os espinhos
Pés descalços e alma nua
Vestindo apenas ternura e inocência (já te disse: cuidado!)
E as vestes já rasgadas
Das palavras semi-nuas
Mais isso tem nome...
Seria utopia?
Já nem sei...tristeza talvez
Ou quem sabe...
Apenas poesia...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Estou quase mudando o nome deste poema para "Eu, Ventania", acho que quanto mais velho...ops...velho não! Quanto mais maduro, pior a ventania, mais densa e forte, era para ser ao contrário, mas tem tanto furacão aqui dentro da minha alma...rs, que nem sei...
Um abraço na alma...boa quinta para todo mundo e uma brisa para poder aplacar os ânimos.
Agradeço pelo dia de ontem, no plano pessoal e também profissional, problemas sérios quase resolvidos por inteiro...que venham outros vendavais...brincadeirinha...quero um pouco de calmaria...rs..valeuuuuu


EU, VENTO

QUERIA SER VENTO
PRA PODER SAIR POR AÍ
COLHENDO PRIMAVERAS
E O MURMURAR VINDO DAS FOLHAS
PRA DESCOBRIR EM MIM CALMARIAS E VENDAVAIS
FEITAS DE SAUDADE E NOSTALGIA
COMO AS CHUVAS QUENTES DE VERÃO
AÍ ENTÃO SER ESTIAGEM
PRA RENASCER DEPOIS NAS TEMPESTADES.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009




Olá pessoal...esta semana comprei um livro da Lya Luft e gostei por demais dos poemas dela...comi o livro. O titulo é "Para não dizer adeus" e é da editora Record. Custou apenas R$ 28,90. Com certeza ela sabe o que muitos trazem na alma e no coração...e traduz isso de forma inigualável neste livro, virei fã...
Vale a pena adquirir, e olha, não ganho comissão ok! Rss...um abraço na alma de todos...valeuuuuu



Sina

quando eu era menina,
a verdade parecia estar nos livros:
ali moravam as respostas
e nasciam os nomes.

quanto mais procurei,
mais me perdi
na trilha das indagações:
as respostas não vinham,
a verdade era miragem,
a busca era melhor que a descoberta,
e nunca se chegava.

(Viver era mesmo sentir aquela fome.)

Lya Luft

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Que assim seja...


Que assim seja...

O poema que me habita
Rege em mim primaveras
De tangíveis lembranças
Apesar disso, quando o leio
Sinto-me um quase analfabeto
Pois há uma dificuldade em compreender
O real desdobramento de suas palavras
Já quando o escrevo,
Perco a noção do que me aguarda
E o freqüento sem saber da sua real significação
Por isso, de agora em diante, aceito a sua não conformidade
Pois pressuponho que assim
O poema nunca seja significado e nem totalmente contemplado
Visto que também, não foi por mim modificado
Logo...isso é poesia...é poema
E é também humano, quando regido pelos insolúveis pontos de interrogação
Portanto, pela intransigência da minha retórica delirante
Peço humildemente meu perdão
Já que agora reconheço
Desfigurada em pele e osso
A minha ausência da razão
Que assim seja...
Que assim seja.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

De corpo e alma


Meu primeiro poema-canção sem fazer parceria com o mano Edu, ficou fraquinha a melodia, confesso...rss...mas gostei por demais. Um abraço pessoal...boa sexta para todo mundo.


De corpo e alma

Ando querendo de mim
O que já não me basta
Essa metade poema
Essa vontade que afasta

Ando adiando de mim
Essa palavra tão casta
Essa verdade dilema
Essa querência tão vasta

De corpo e alma
Vento e ventania
De corpo e alma
Amor e sintonia

Ando querendo de mim
O que já nem mereço
Essa metade utopia
Essa vivência sem preço

Ando adiando de mim
Essa ausência ao avesso
Essa contínua alegria
Essa ternura que excerço

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

EU, SENTIMENTO



Olá pessoal...acabou a moleza, de volta às aulas, trabalho dobrado e tempo achatado...rs...mas, vamos que vamos...Um abraço na alma de todos e obrigado aos que passam por aqui...valeuuuu


EU, SENTIMENTO



NÃO QUERIA SER SÓ SENTIMENTOS


E TÊ-LOS ASSIM EXPLÍCITOS NA ALMA


COMO ESPINHOS DILACERANDO A CARNE


MAS TRAGO-OS AFIADOS NO CORAÇÃO


NAS ENTRANHAS DO QUE ME FAZ EMOÇÃO


SOU ASSIM E NÃO ME FURTO DISSO


AÍ ENTÃO, NÃO SEI SE CHORO OU SE SORRIO


NÃO SEI SE GRITO OU SILENCIO


SÓ SEI QUE SEI QUE EU NEM SEI


SE EU FOGO OU PAVIO


SE EU CHUVA OU ESTIO

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Descansa, poema...


Ontem procurando umas imagens, encontrei esta e foi poema a primeira vista...rss
Saiu como gravidez de sete meses...rs...Um abraço na alma...adorei essa imagem.
Bom domingão para todo mundo...valeuuuuu!


Descansa,poema...

A primeira sensação
foi de espanto, emoção e alegria
logo depois uma dormência
e meus pés começaram a inchar
algumas náuseas surgiram
e com elas alguns enjôos
foi quando senti um enorme desejo
de comer a palavra ternura
fiquei desconfiado, mas ao sentir tonteiras
tive a certeza...
não é que era um poema
a me engravidar pelos pés
é que eu estava descalço
matando a saudade do chão
e do cheiro da terra molhada
e sem perceber, entreguei-me
sendo assim, não tive como escapar
salientes, me vieram as primeiras contrações
sentei na grama e respirei fundo
aguardando que elas fossem embora
até que conformadas, se foram
pois ainda não era a hora
a esta altura o poema apressado
estava em minha batata da perna
e continuava subindo desesperadamente
foi quando descobri a sua intenção
na verdade essa pressa toda
tinha uma única razão
é que o poema queria
renascer no meu coração
calma poema, deita e descansa
a viagem é longa e cansativa
portanto, ainda não é hora não
fica tranqüilo e dorme
já coloquei minh’alma pra despertar de manhãzinha
pode deixar que não vou te acordar com empurrão
e nem mesmo teu nome vou gritar
vou fazer o seguinte:
te beijo com ternura a face e os olhos
que é para não te assustar
e te abraço com palavras que é pra não te machucar
dorme poema...descansa
ainda não é hora não...