quarta-feira, 28 de setembro de 2011

PEÇO PERDÃO A ESQUERDA




Peço Perdão a Esquerda...

Se alguém imaginou que esse texto é sobre política, desista de ler agora.
Quero mesmo é pedir perdão ao meu lado esquerdo, tão esquecido por mim.
É verdade, parei para pensar e me perguntei: Pra que serve meu lado esquerdo?
Quase nada eu pensei. Aí voltei no tempo e descobri que a culpa é exclusivamente minha.
Eu sempre o usei apenas como apoio, como bengala e nunca dei chances dele crescer, de se auto-conhecer e enfrentar desafios. Sempre o protegi com o lado direito e hoje quase não me perdôo por isso...(menos gente...é só para dar um pouco mais de dramaticidade ao texto...rs)
Ainda bem que descobri o grupo de estudos Gurdjieff que nos proporcionava novos desafios.
E na primeira semana foi me dado a tarefa de escovar os dentes com a mão esquerda. 
Automaticamente em meu subconsciente veio a negação.
E pensei: 
"Caramba! Não vou conseguir"
"Vou acabar ferindo a gengiva" e sorri comentando com o colega ao lado.
"Hum! não vai ficar bem escovado"...e outras coisas do tipo.
Mas resolvi ir em frente, em busca desse meu lado esquecido...e fui...
Orgulhoso de meu desafio, no primeiro dia procurei não só escovar os dentes, mas também abrir gavetas, pentear o cabelo, abrir a geladeira, carregar objetos, usar o controle remoto e até mesmo segurar o talher, tudo com a mão esquerda. E foi com o talher que resolvi calçar as sandálias da humildade e cumprir apenas o desafio de escovar os dentes. E foi uma experiência impressionante.
A dificuldade que a mão direita teve em ajeitar o tubo de creme dental enquanto eu segurava a escova com a mão esquerda para simplesmente colocar o creme, antecipou o que viria mais a frente.
A dificuldade de executar os movimentos da escovação por incrível que pareça fez minha mão direita tomar vida própria querendo assumir a tarefa. Ela se mexia, meu corpo se contorcia meio que estabanado e com os movimentos desajeitados. Foi uma verdadeira luta, mas valeu a pena, por isso estou aqui, pedindo perdão, não só a minha mão, mas a todo meu lado esquerdo. 


FAÇAM, EXPERIMENTEM, E DEPOIS ME CONTEM AQUI, COMO FOI A EXPERIÊNCIA...RS...

UM ABRAÇO NA ALMA DE TODOS... 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

RABISCOS INALTERADOS







Reescrevo a cada verso
Uma verdade intransigente
Sou quase cético e urgente
Até mesmo quando eu minto
Porque não há como evitar
A clareza do fechar os olhos
Quando estou a me equilibrar
Na corda bamba do meu âmago
É que neste instante inacabado
Meus versos saem do poema
Buscam a terra e não as nuvens
Porque eu prefiro o claro, é claro
Mesmo que este seja um tanto escuro
Já que nem sempre me chega iluminado
Com a clarividência que eu gostaria
Talvez porque também eu não o tenha
Tão assim mais cristalino e florescente
Feito as coisas boas, simples e cotidianas
Que por vezes me habitam normalmente
Já o canto surdo-mudo da canção, não duvidem
É um sei lá catando o vento na esquina
É um sei não absorvendo a adrenalina
Por isso leio os jornais e me aborreço
Com o sangue coagulado das notícias
Mortes, acidentes e a pensão não vitalícia
Fazer o que? Melhor pular as redundâncias
Ouvi dizer que eles estão em recesso
E que o congresso esta semana nem abriu
Logo, deu vontade de mandá-los para Marte
Mas mandei mesmo para a puta que pariu
Hoje em mim é feriado e já nem sei
O que vou achar no outro lado do espelho
Já que inocentemente ainda insisto
Em não querer saber dos meus conselhos
Ainda bem que o Sol se levantou disposto
E me aqueceu com sua loucura já prevista
Melhor escancarar as portas e as janelas
Porque para ver além dos meus limites
Muito além do que os meus olhos podem ver
Basta que eu sinta a semeadura em meus poros
Amealhando os instantes mais profícuos e legíveis
Para que assim eu me deixe naturalmente emprenhar
Pela essência mais pura da minh’alma

Elcio Tuiribepi

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Paulo Machado e Eliana Zagui

Eles estão há 40 anos na UTI...A postagem ficou enorme, porém minúscula perto desses dois imensuráveis exemplos de vida...

Paulo Machado e Eliana Zagui são os pacientes mais antigos do maior hospital do País. “Eu ainda quero sair daqui", diz ela




Eliana Zagui tem 37 anos e está internada desde seu primeiro ano de vida.
Ela sorri e diz que o filme mais bonito que já viu na vida foi Dirty Dancing, aquele com o Patrick Swayze, que no Brasil foi chamado de Ritmo Quente.
Quando o longa estreou, em 1987, Eliana Zagui, hoje com 37 de idade, tinha 13 anos e já estava internada em um leito de UTI há 12 anos. Ela devorou cada minuto da sessão de “cinema hospitalar”. De lá para cá, ainda hospitalizada, Eliana já reviu 18 vezes o mesmo filme.
Bem ao seu lado, está internado Paulo Henrique Machado, cinéfilo desde menino, que tem uma queda por animação e já recebeu visitas ilustres em seu leito, como a de Carlos Saldanha, produtor brasileiro que participou de a Era do Gelo.
“Eu ainda vou fazer meu próprio filme, em 3D, com bonecos de massinha, todos deficientes físicos”, conta ele com 43 anos, 42 passados dentro do Hospital das Clínicas de São Paulo.





Paulo Henrique Machado, 43 anos, internado há 42 anos, foi o primeiro paciente da UTI do Hospital das Clínicas
Eliana e Paulo são os pacientes mais antigos do maior complexo hospitalar da América Latina. Estão hospitalizados há quatro décadas, representando as últimas vítimas do surto de paralisia infantil que ocorreu no Brasil no início da década de 70.
São testemunhas vivas de um momento muito difícil da saúde do País e assistiram não apenas à erradicação desta doença em território nacional (graças à vacinação em massa), como o surgimento das primeiras unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes graves que, assim como eles, não podiam voltar para casa.
O vírus da poliomelite tirou os movimentos das pernas de Paulo e também comprometeu a sua capacidade de respirar sozinho. Eliana só consegue movimentar os olhos e a boca e, da mesma forma, para que o ar chegue aos pulmões, precisa da ajuda de um aparelho (pesado e caro).

Descobertas
Na posição horizontal, Eliana e Paulo Henrique descobriram um mundo cheio de possibilidades. Ele lembra de ver pela televisão, em branco e preto, a chegada do homem na lua. Eliana precisou usar óculos por causa da miopia e deixou os cabelos encaracolados crescerem até a altura dos ombros.
Quase no mesmo compasso dos avanços médicos, a tecnologia voltada para a comunicação também foi melhorando a vida deles. Os respiradores mais leves permitiam deslocamento para outras áreas do hospital. O walkman trouxe a possibilidade de escutar as próprias músicas sem precisar “incomodar” mais ninguém. Os monitores cardíacos ficaram mais precisos e possibilitavam prolongar os banhos de sol. O computador e a internet trouxeram para perto dos dois os cursos on-line. Eliana, com a boca, aprendeu a pintar quadros lindos. 



Paulo Henrique descobriu tudo sobre programas de edição e design, o primeiro passo para os trabalhos que desenvolve hoje.


Mas o que ele quer fazer mesmo é curso superior de cinema. E alimentou este sonho nas cinco vezes em que ficou fora do Instituto por três horas e deu uma passadinha rápida no Shopping Santa Cruz para uma sessão.
“Dormir fora eu não tenho vontade, acho que tenho receio. Quando a gente vai para o mundo, percebe que as coisas são maiores do que estamos acostumados a ver. Não sei se estou pronto para encarar isso”, diz ele.


Eliana, é uma entusiasta da tecnologia e com uma ansiedade por vezes travestida de mau-humor, espera que a chegada de novos aparelhos médicos a possibilitem deixar o hospital. Ela prepara o “ponto final” de seu livro que, em uma referência à aparelhagem que contribuiu para que chegasse aos 37 anos de vida, vai chamar de “Pulmão de Aço”, uma referência ao respirador artificial que a acompanha desde menina.


Ao longo do tempo em que esteve que na posição de paciente Eliana viu o amadurecimento da UTI brasileira e entendeu perfeitamente que a medicina hi-tech foi um dos avanços mais importantes da saúde do País.
“Mas o contato humano e a relação pessoal ainda precisam ser mais trabalhados nestes espaços", diz. As pessoas esquecem que por trás das máquinas existem seres humanos.


Alguns anos atrás eu conheci Eliana nas antigas salas de bate-papo, ela usava o codinome "Violeta Azul" e eu o de "Dustin"...por causa do ator Dustin Hoffman...rsrs...o poema abaixo nasceu quando vi um texto da Eliana em que narrava a sua primeira visita ao mar...num tempo em que sair do hospital causava muitos receios, ainda mais numa praia...bom revê-la assim, tão cheia de entusiasmo, de sonhos e realizações...um exemplo de vida, de força, coragem e perseverança...


Um abraço na alma de todos...


ELIANA, VIOLETA, ROSAS E JASMINS


ELIANA QUIS CONHECER OS MISTÉRIOS DO MAR
DO SEU ENCONTRO COM O CÉU NO HORIZONTE
DO TAL AZUL QUE HABITAVA EM TEUS SONHOS
DO TAL LUAR QUE NA CANÇÃO LHE FEZ CANTAR

VIOLETA AZUL SENTIU NA PELE AS AREIAS
QUE O VENTO FORTE TROUXE AO TEU JARDIM
A BRISA ENTÃO SE APODEROU ASSIM LIGEIRA
FURTANDO EM BEIJOS O FRESCOR DO TEU CARMIM

O TEU OLHAR RECOLHE TELAS INVERTIDAS
QUE TRADUZIDAS EM TEUS LÁBIOS VIRA COR
É O SEU DOM QUE MAIS PARECE A PRIMAVERA
É O TEU AMOR QUE DESABROCHA E VIRA FLOR

A TUA ALMA É COMO A LINDA FLOR DO CAMPO
E A TUA ESSÊNCIA É O QUE TE FAZ VIVER ASSIM
TÃO FORTE E NOBRE COMO A COR DA FLOR DO SÂNDALO
TÃO DOCE E MEIGA COMO A ROSA E O JASMIM

DA TUA PRESENÇA QUEM ME INSISTE É O MAR
QUE SE ENCANTOU DO TEU AMOR PELO AZUL
QUE TE PROCURA NAS AREIAS E NO VENTO
NAS AQUARELAS EM QUE SONHA TE ENCONTRAR

E DESTE SONHO QUE SE FEZ NUM SÓ ENCONTRO
FICOU PRA SEMPRE A SAUDADE EM TEU OLHAR
SE POR ACASO NUNCA MAIS VOLTAR UM DIA
GUARDE NOS OLHOS TODO O AZUL QUE AMOU DO MAR
ELCIO TUIRIBEPI 






domingo, 11 de setembro de 2011

Um tiro...uma rosa...um jardim


 Um tiro...uma rosa...um jardim

Um tiro sem eira nem beira
Partiu, rompendo o silêncio
Alguém anonimamente
Fez soar o triste estampido
Logo, veio um grito de dor
Era o som, era a voz da morte
Anunciando a falta de amor
Sendo assim, como é possível
De que maneira explicar ao jardim
Esta imensurável irresponsabilidade
De um ser chamado humano
Nada mais resta a fazer
Diante a inesperada
E gratuita violência
As pétalas desfaleceram-se
Vertendo lágrimas e lamentos
Diante a presumida agonia
Morreu a rosa menina dos ventos!
Morreu a rosa menina dos sonhos!
Bradou aos sete cantos
O crisântemo estarrecido
Tanto que o riso em silêncio póstumo
Não mais ecoou no horizonte
Pobres pétalas mutiladas
Tornaram-se apenas mortalhas
Sobrevivente da tragédia, o caule
Que a tudo apavorado assistiu
Orou, pediu aos céus uma saída
Até que ela veio serena e tranqüila
Juntando-se as nossas lágrimas
É que o céu também chorou
Ao ver a rosa Juliana ensanguentada
Pois ferida mortalmente, não vingou
Deu adeus a vida de forma breve
No entanto, deixou para seus amigos
O perfume e o sorriso da sua alma
E o seu olhar de estrela d’alva
Então dálias, cravos, margaridas
Violetas, acácias e jasmins
Despediram-se em pranto
Lírios, begônias, hortênsias
Tulipas, girassóis e querubins
Abraçaram-se até o cair da noite
Já as estrelas sentidas, apagaram-se
E no breu do universo
Fizeram luto em homenagem à rosa
Até que o dia entristecido acordou
E junto dele um dedicado jardineiro
Que sem saber regava a esperança
Compartilhando afetos, o sol e a primavera
Semeando carinho, amor e compreensão
Bendita seja essa semente do amor
Que faz nascer, que faz brotar
Repetidamente o sentido da vida
Pois deveras grávido, o jardim concebeu
As mais belas flores, as mais lindas rosas
Que a saudade já colheu

Elcio Tuiribepi



O número de mortes por balas perdidas no Rio pode ter sido o triplo da estatística oficial...triste realidade


Um abraço na alma...bom domingo...boa semana para todos nós...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Procurando um vídeo para incluir numa palestra que vamos dar direcionada aos pais, encontrei este, mesmo sem escutar o som, achei a mensagem interessante...porém, depois que escutei a canção, tive a certeza quanto a escolha...emocionei, arrepiei...pois o conjunto da obra ficou perfeito para o pretendido...
Compartilho com vocês...
Um abraço na alma...



Dr. Carlos Hecktheuer- médico psiquiatra


PAIS MAUS

"Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva pais e mães, eu hei de dizer-lhes: -
Eu os amei o suficiente para ter-lhes perguntado aonde vão, com quem vão, e a que horas regressarão.

- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar os doces que tiraram do supermercado, ou revistas, do jornaleiro, e fazê-los dizer ao dono: "Nós tiramos isto ontem, e queríamos pagar".
- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu os amei o suficiente para deixá-los ver, além do amor que eu sentia por vocês, o meu desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para lhes dizer NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até me odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci... Porque, no final, vocês venceram também! E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva pais e mães; quando eles perguntarem se os seus pais eram maus, os meus filhos vão lhes dizer:

"Sim, os nossos pais eram maus. Eram os piores do mundo. As outras crianças comiam doces no café e nós só tínhamos que comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvetes no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Nossos pais tinham que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
Insistiam em que lhes disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nossos pais insistiam sempre conosco para que lhes disséssemos sempre a verdade, e apenas a verdade.

E, quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!
Nossos pais não deixavam os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham que subir, bater à porta, para que os nossos pais os conhecessem.
Enquanto todos podiam voltar tarde da noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelo menos até os 16 para chegar um pouco mais tarde; e aqueles chatos levantavam para saber se a festa foi boa (só para verem como estávamos, ao voltar).
Por causa dos nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubo, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por crime algum.

FOI TUDO POR CAUSA DOS NOSSOS PAIS!

Agora, que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o melhor para sermos PAIS MAUS, como eles foram".

EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:

NÃO HÁ PAIS MAUS O SUFICIENTE!