segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Palhaço...

Desde a primeira vez que ouvi falar sobre esse filme tive a sensação de que realmente valeria a pena assistir.
Não me enganei, O Palhaço é antes de tudo um filme feito com paixão e também com admiração...já que os atores foram escolhidos a dedo... resumindo: foi feito com alma  e coração.


Numa das participações especiais o rapaz da bicicleta, representado pelo ator Emilio Orciolo Neto, diz assim: “Ocê vai, vai, vai, vai, vai, vai, vira a primeira direita e vai, vai,vai, vai, tem riachinho e vai, vai, passa a paradinha Melo e vai, vai, vai, vai, vai…. Por sorte eu tenho um mapa aqui pra vender. Vai?” -  Essa parte é muito engraçada...

As participações especiais posso afirmar que realmente foram especiais...Jorge Loredo...lembram do Zé Bonitinho? Matou a pau... rsrs...Já Moacyr Franco em apenas uma cena rouba a cena e consegue fazer rir com sua seriedade cômica...Tonico Pereira também arrebenta a boca do Bastião...

Paulo José...emoção pura, consegue falar pouco e transmitir muito, tem um olhar que fala mais do que a própria palavra...



Selton Mello no papel de Benjamim e ao mesmo tempo do palhaço Pangaré deixa claro sua angústia, sua busca em busca de si mesmo de uma forma inocente, quase pura...são cenas bastante sutis, por isso muitas pessoas não conseguem captar a mensagem do filme, toda essa simplicidade, porque no filme são abordados na verdade algumas situações que todos nós vivemos em nosso cotidiano: nossos questionamentos, nossas decepções, nossas pequenas enormes alegrias...nossas expectativas...enfim...e algumas pessoas esperam ver um filme diferente, em que irão rir...rir...rir...e não é por ai...rs...até porque palhaço de circo é uma arte antiga...onde os maiores expectadores são as crianças...que riem das coisas mais inocentes...a gente até ri em alguns momentos, mas a  proposta do filme não é essa...com certeza não é por ai...rsrs  

Bom...eu gostei e recomendo...ah...O Homem do Futuro também merece ser visto, com o Wagner Moura arrebentando, a estória ficou ainda mais interessante...fico feliz de ver o cinema nacional produzindo filmes de qualidade...acho que empolguei...rsrs...acho não...tenho certeza...rsrs

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012



Um dialeto de clarões remanescentes

Ando observando o cotidiano das coisas
Os gestos, as palavras e o de repente
Já que prevalece a valentia da menina
Mesmo lhe tendo sido roubada a fala
Porque seu linguajar agora é outro
É um dialeto de clarões remanescentes
Nascido de bem-vindas rebeldias
Fonte de um fio quase invisível
Que se reabastece com esperanças
Posto que tudo ainda respira cautela
Pois do alto da minha empatia em cacos
Absorvo cenários de sofrimento e dor
Como se o mundo em fartos rodízios
Concedesse-lhe bandejas com nãos
Por isso eu queria um pedaço de tecido
Retalhos de uma pele jovem e macia
Um frasco preenchido com tutano
E quem dera um sangue abençoado
Capaz de transformar e realizar em síntese
A fotossíntese que o tempo lhe renega
Queria enfim, inúmeras soluções
Porém, nenhuma resposta a mais
Que explicasse esse tal cotidiano
Porque cada dia vivido a mais
Corresponde inevitavelmente
A um dia vivido a menos
Carpe Diem...


Elcio Tuiribepi

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre as coisas simples...


Tenho duas vovós que gosto muito e uma delas tem passsado por situações muito complicadas, a gente sofre junto e isso acaba mexendo com o emocional da gente.

Todo o amor , carinho e ainda todo o desdobramento das coisas práticas são feitos para que se amenizem as  dores, os incomodos, mas não é tarefa fácil, isso tudo suga o amor que a gente tem até as ultimas gotinhas, por isso em certos momentos a gente pensa que vai fraquejar, porque na verdade cansa, esgota fisica e emocionalmente ver uma pessoa, que a gente ama muito, sofrer, mas logo em seguida, brota uma força lá de dentro da gente e nos abastece novamnte com muito mais amor, mas muito mesmo, pra que a gente continue na estrada e não nos falte esse combustivel.

Hoje tenho me alegrado com pequenos gestos dela, aqueles pequeninos que agora a gente vê como enormes: um simples gesto de dar um tchau, um beijinho assim murchinho, quase sem barulho...um leve encostar de lábios na minha bochecha...rs...mas isso me faz alegre, fico envaidecido...rs...ou um esboço de um sorriso, ou então aquela mexida com a sobrancelha que é usada para expressar felicidade, tristeza, desdém...rs...espanto, duvida....rsrs...porque ele serve para tudo na verdade...estes tornaram-se gigantes e de grande valor pra gente...

A vida nas suas complicações e desvarios mostra-nos caminhos cheios de pedras e obstáculos...Mas também nos concede pontapés constantes para que possamos aprender a andar para a frente nas dificuldades...to por aqui tentando crescer com tudo isso, tentando amenizar a dor e ainda brincando com ela de dar continência, porque um pequeno gesto acende sempre uma labareda de esperança, seja ela qual for, não peço nada....só queria mesmo ter o poder de amenizar o sofrimento...mas a gente não tem né...ficamos tolidos, impotentes diante a dor... diante o sofrimento. Mas o sorriso continua valente...rsrs



Achei essa imagem tão bonita, tão tocante que de alguma maneira ela me disse muito e fiz o contrário do que costumo fazer, procurei um poema que se encaixasse no significado da imagem e o nosso Quintana me ajudou, gostei por demais e por isso compartilho com vocês, esse lindo poema...

Haverá,
ainda,
no mundo
coisas tão simples
e tão puras
como a água
bebida na
concha
das mãos?

(Mário Quintana)

Um abraço e um beijo na alma de todos...bom carnaval gente, juízo...não exagera hein...rs...valeuuu...tamo na lutia...rs

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tacitamente explícito



Tacitamente explícito

Sou um pouco tácito
Nesse meu explícito

O meu não é cético
De sentires ácidos

Tudo em mim é afecto
E um tanto cíclico

Tenho um lado hídrico
E outro circunspecto

Visto versos críticos
Em minh’alma cálida

Sonho sonhos híbridos
E uma ternura sólida

Abraço rimas lúdicas
Num sentir que é mágico

Meu abalo é sísmico
E o despautério é cósmico

Tudo em mim deságua
Vento, chuva e emoção

Em meus olhos d’água
Eu afogo a razão


Elcio Tuiribepi